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Glúten e Lactose

A alguns anos escutamos falara sobre glúten e lactose. Muitos dizem que estes elementos devem ser excluídos da alimentação para perder peso e ter uma vida mais saudável. Porém, pesquisas sobre glúten e lactose apontam outros resultados.


O glúten é uma proteína que está presente em alimentos derivados de farinha de trigo, como bolos e pães, alguns doces, aveia, massas, biscoitos e cerveja; e a lactose é o açúcar presente no leite e em seus derivados, como manteiga, queijo, creme de leite e iogurte. Atualmente estão documentadas três condições de sensibilidade ao glúten: doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten não-celíaca. A doença celíaca é um distúrbio inflamatório crônico do intestino delgado como um estado de resposta imunológica intensificada ao ingerir o glúten. A alergia ao trigo é definida como uma reação imunológica adversa às proteínas do trigo. Pode apresentar-se com sintomas respiratórios (“asma do padeiro” ou rinite, mais comum em adultos), alergia alimentar (sintomas gastrintestinais, urticária, angioedema ou dermatite atópica; principalmente em crianças) e urticária de contato. A sensibilidade ao glúten não celíaca é uma forma de intolerância ao glúten quando a doença celíaca e a alergia ao trigo foram excluídas.


Existem afirmações de que o glúten e a lactose são inflamatórios. De acordo com estudo clínico randomizado publicado (Vitaglione e colaboradores, 2015) aponta que o consumo de grãos integrais (que contém glúten) pode reduzir o processo inflamatório pela presença de polifenóis na fibra dos grãos. A exclusão do glúten da alimentação sem indicação nem orientação do nutricionista pode ter riscos. Em estudo publicado em 2017, entre os 7.471 participantes, 73 consumiam apenas alimentos glúten-free. Em comparação com os participantes que tinham uma alimentação sem restrições, aqueles adeptos da dieta livre de glúten apresentaram 70% mais mercúrio sanguíneo e quase o dobro da concentração de arsênio na urina.


Além disso, a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) emitiu em 2014 um parecer dizendo que não há evidência científica que justifique a retirada de alimentos com glúten da alimentação de pessoas que não apresentam doença celíaca ou outro tipo de intolerância ao glúten.
O mesmo ocorre para a lactose. A intolerância a lactose é caracterizada por incapacidade de digerir a lactose presente nos alimentos por terem baixa ou nenhuma produção de lactase, a enzima que digere a lactose em glicose e galactose, culminando no surgimento dos sintomas como flatulência, borborigmos, distensão, cólica e diarreia. A SBAN diz que “não há evidência científica suficiente para que indivíduos saudáveis retirem a lactose da dieta.”. O Conselho Regional de Nutricionistas da 3° Região (CRN – 3) também publicou um documento em 2016 que diz “é fato que o leite é um alimento com atributos nutricionais relevantes e essenciais, sendo o leite e seus derivados as principais fontes de cálcio e alimentos altamente proteicos, com proteínas de alto valor biológico.”. Ou seja, pessoas que não apresentam nenhum desses sintomas ao consumir produtos com lactose não têm razão para excluílos da rotina alimentar.

Referências bibliográficas:

Wu JH, Neal B, Trevena H, Crino M, Stuart-Smith W, Faulkner-Hogg K, et al. Are gluten-free foods healthier than non-gluten-free foods? An evaluation of supermarket products in Australia. Br J Nutr. 2015.

Bulka CM, Davis MA, Karagas MR, Ahsan H, Argos M. The Unintended Consequences of a Gluten-Free Diet. Epidemiology. 2017.

ederação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA). Sensibilidade ao glúten na ausência de doença celíaca. 2017.

PANTALEÃO, Lucas Carminatti ; AMANCIO, Olga Maria Silvério; ROGERO, Marcelo Macedo. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN). Dieta sem glúten. 2014.

MORAES, Adriane Elisabete Antunes de; AMANCIO, Olga Maria Silverio Amancio. Posicionamento sobre Consumo de leite e produtos lácteos e intolerância à lactose. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN). 2017.

DEL’ ARCO, Ana Paula Wolf Tasca. Leite – Devemos excluí-lo da dieta? Conselho Regional de Nutricionistas – 3° Região. 2016.

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A Autora

Glorimar Rosa / @glorimarrosa

Mestre em Bioquímica pela UFRJ, Doutora em Ciência de Alimentos pela UFRJ; Professora Associada de Nutrição Clínica do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC) da UFRJ, exercendo atividades de ensino, pesquisa, assistência e extensão nas áreas de Graduação e Pós-graduação.

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